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14 de jun. de 2011

Eu desconfiava!!!!!!!!

Acabei de ler uma matéria no MixBrasil que de alguma forma esclarece algo que eu desconfiava. Uma universidade Americana fez uma pesquisa entre homens héteros que admitiam ser homofóbicos ou não. Foi mais ou menos assim: depois de identificados os dois grupos foram separados. Os pesquisadores submeteram estes homens a um teste curioso. Homofóbicos e não homofóbicos assistiram filmes pornográficos onde havia cenas de sexo entre casais héteros, casais homo (homem com homem e mulher com mulher). Os pesquisadores perceberam que os homens que não eram homofóbicos tiveram seus instintos aflorados pelos vídeos entre casais do sexo oposto e casais homo de mulheres. Os homofóbicos ficaram "animadinhos" nos três casos. Depois de ler a matéria me lembrei de sempre ouvir comentários sobres estes caras homofóbicos. Pena é saber que eles existem aos montes e são capazes de atrocidades pelas cidades de todo o mundo. Quem não se lembra do personagem de Chris Cooper em "Beleza Americana". Depois de achar que o filho era gay e que tinha um relacionamento com o vizinho, lascou um beijo cheio de energia neste último e depois o matou, como se pudesse matar seu próprio desejo. Eu desconfiava!!!!!!!

15 de abr. de 2010

Agradecimento

Depois de um tempo sem frequantar o consultório da minha psicanalista, uma vez que ela me dispensou, acredito por mérito meu, e não por estar de saco cheio de mim, escrevi um texto para ela que achei em um cd onde gravo alguns dos meus escritos. Foi bom lembrar este texto, e até me deu um pouco de saudade de cavucar os terrenos mais profundos que habitam dentro de mim.

Conhecer a si mesmo. Conhecer suas próprias entranhas. Conhecer seus monstros, mesmo ao olhar no espelho. Diagnosticar desejos, raivas, virtudes e defeitos. Ter o entendimento do profundo, do raso, do belo e também do horroroso que habita em nós. Deixar a música te tocar, as imagens devorarem sua retina, os odores entrarem sem pedir licença. Permitir o choro, o desespero, a alegria, a felicidade, por mais efêmera a vida. Orgulhar-se daquilo que é puro, e não ter vergonha de ser você mesmo. Não acreditar na plenitude, não almejar a perfeição. Acreditar naquilo que é, e pronto. Negar as convenções, sorver os pequenos momentos de êxtase. Não achar que a vida é algo difícil, aprender a rir de si mesmo, do mundo, não se levar tanto a sério. Cuidar de quem está perto, dar-lhe colo. Puxar orelhas. Chorar, chorar, chorar. Entender a dor e não esquecer que ela pode ser, inconscientemente, uma de suas melhores amigas. Amar, amar, amar. Amar com a mais pura alma. Amar com todos os sentidos. Deixar a paixão chegar e não afastá-la. Estas são muitas das coisas que você me ensinou. Obrigado por acreditar em mim. Obrigado.

25 de fev. de 2010

Preciosa

Todo início de ano é a mesmo coisa. Vou ao cinema quase todo final de semana para conferir os indicados ao Oscar. Tudo bem que o Oscar premia na maioria das vezes os filmes mais comerciais, os astros e estrelas mais bonitinhos, e não necessariamente os mais talentosos, mas mesmo assim, me jogo nas salas de cinema para assistir e definir, nem que seja para mim mesmo, para quem acho justo entregar as estatuetas douradas. Não lembro bem se lí uma matéria no jornal ou se ouvi algum comentário sobre o papel da atriz e apresentadora de Tv americana M'onique no filme preciosa que dizia ser um dos piores papéis femininos na história do cinema. Pior no sentido de ser um ser humano ruim, que desperta ódio, nojo na platéia. Achei que poderia ser um comentário muito forte, talvez duvidei de primeira, mas fiquei mais interessado no filme. Após sair do cinema concordei em número, gênero e grau com aquilo que havia ouvido ou lido. O papel de M'onique é de arrepiar. Causa espanto e ao mesmo tempo encanto. Encanto pois não queria que ela saísse de cena por nenhum minuto. Espanto por ver a natueza humana tão exposta, tão revelada, e espanto maior por acreditar que aquela mulher existe e vive bem perto de qualquer um de nós. Que o Oscar premie a performance de M'onique, pois assim estarão agraciando uma atriz de verdade.

30 de jul. de 2009

Meu Lugar No Céu

Depois de relaxar por outros ares, voltei para Terra Brasilis e assistindo o noticiário sobre Presidente, Senadores, caso Sarney entre outras pataquadas de nosso Brasil, me lembrei deste texto que havia escrito num passado não muito distante.

Anderson era um rapaz simples. Foi criado pela mãe. O pai havia sido assassinado antes de seu nascimento. Mãe e filho eram moradores de uma favela numerosa de São Paulo. Dona Francisca e seu filho passaram por muitas provações ao longo dos anos. O garoto tina gana em estudar, mas a escola mal tinha aulas. Ele queria trabalhar, mas a falta de conhecimento o impedia de conseguir um trabalho digno. Num dia de quase desespero, onde a fome imperava, o frio cortava sua pele, a falta de expectativa batia a sua porta, Anderson estava caminhando pelas ruas de seu bairro quando ouviu uma manifestação que vinha de um galpão. Curioso, esticou o pescoço e olhou para dentro. Uma dezena de rapazes, provavelmente de sua idade, ouviam um senhor que tinha controle sobre as palavras. Alguém de dentro do galpão acenou para que ele entrasse. Anderson nunca foi muito adepto a cultos, mesmo tendo como obrigação acompanhar a mãe semanalmente nos cultos de uma igreja caça níquel, mas um ímpeto o fez entrar. Na verdade, ele acreditava em Deus, e confiava piamente que este último um dia os ajudaria a sair daquela difícil vida.
Hoje, Dona Francisca está ao seu lado, e eles estão elegantemente trajados, na medida do possível. Estão no saguão do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Dona Francisca nunca ouvira falar naquele país em que o filho passaria exatos quatro meses. Afeganistão. Quando a hora do embarque chegou, Anderson emocionado, beijou sua mãe. Mais dois rapazes que ele conhecera no culto eram seus companheiros de viagem.
O tempo até que passou com alguma rapidez. Quatro meses passaram e os rapazes já estavam de volta. Aproximadamente um mês após o retorno, Anderson contou a Dona Francisca que iria para Brasília. O senhor que era hábil com os vocábulos lhe pediu que fizesse um serviço no Distrito Federal. Dona Francisca enfim, respirou aliviada, acreditando que seu filho encontrara rumo na vida.
Surpresos ficaram todos os vizinhos de Anderson quando ligaram seus aparelhos de televisão e viram a cena que estarrecia a nação. O Congresso Nacional destruído, não havia ficado tijolo em pé para se contar a história. O jornal, em edição especial, dizia não oficialmente, que duzentos parlamentares estavam no recinto no momento da explosão. ´Ninguém havia sobrevivido ao ataque. Não se sabia o que havia acontecido. Dois dias após ao ataque, aquele senhor, o sábio com as palavras, era preso no galpão em que Anderson havia entrado seis meses atrás.
Seu Fernando era um empresário aposentado muito descontente com a situação do país. Tivera a idéia de matar os parlamentares, mas não havia encontrado coragem. Daí a idéia de aliciar jovens sem expectativas, sem esperança e manda-luz aos campos de treinamento da Al-Quaeda. A Anderson, seu Fernando havia prometido um lugar no céu. O jovem, ingenuamente, acreditou na oferta e se explodiu no meio do Congresso Nacional.
Hoje, as viúvas de tais distintos parlamentares criaram uma ocupação para que encontrassem forças para continuar a vida sem depender do erário público. Elas próprias trabalham, ilegalmente, em uma rede de prostituição no Distrito Federal que atende os novos deputados, senadores e ministros que serão explodidos por um dos colegas de Anderson.

14 de jun. de 2009

Quero

Querer é natural
Querer não precisa ter guia
Querer é mais
Querer é seu
Querer é nosso
Querer é não saber
E saber porque?
Quero porque quero
Quero porque necessito
Quero porque tenho vontade
Vontade de não sei do que
Quero por querer

Cocoon

Era uma típica tarde na cidade de São Paulo. Lá estava eu no meio do congestionamento quando olhei pelo espelho retrovisor e me deparei com a imagem de uma senhorinha de uns oitenta anos que dirigia o carro que vinha atrás de mim. Na hora fiquei surpreso e logo em seguida fiquei pensando se eu um dia também estarei dirigindo pelas ruas de minha cidade. Sempre fel fã do filme Cocoon, onde velhinhos estavam em um hotel, ou casa de repouso, não me lembro bem, e se banhavam nas águas de uma piscina e sem muita explicação ficavam revigorados e a partir daquele momento viviam suas vidas como se tivessem 20 anos. Sempre disse a mim mesmo que quero ser um velhinho Cocoon. Nada de ficar entregue dentro de casa, vendo o tempo passar. Espero que quando estiver velho ainda existam boates onde senhores não mais tão jovens possam mexer seus esqueletos sem muita preocupação. O prazer de dançar por dançar. O prazer de paquerar por paquerar. Se um beijo rolar, por que não? Seremos velhos, mas espero que a velhice não apague da minha memória os prazeres mundanos que tanto gostamos. Quem viver verá, e eu também...

8 de jun. de 2009

Parada Gay

Estamos iniciando a semana da Parada Gay de São Paulo. Mais uma vez, alguns amigos perguntaram se eu estaria na Avenida Paulista no Domingo. E a resposta que dei foi que não. Ainda tenho minhas reservas com a Parada Gay. Não sei se somos retratados com o devido cuidado pela mídia. Sempre que uma Parada acaba, o que vemos nas capas de jornais são fotos de Drag Queens, Travestis e homens de sunga e coturno. Vou ficar de olho este ano para ver se alguma coisa muda neste aspecto. Não que estes últimos não façam parte do cenário Gay, muito pelo contrário. Mas não resumem a todos. Tenho a impressão de que no geral a sociedade não é capaz de diferenciar os vários tipos de homossexuais que existem, e daí acham que todos são iguais aos que estampam as capas de jornais. Quantas vezes fui perguntado se em boates gay os homens ficam se “pegando” como se estivessem fazendo parte de uma grande orgia. Se todo mundo fica com todo mundo? Se a música que toca é YMCA e IT’S RAINING MAN? Tenho sorte de ter amigos e familiares que me acolhem de forma carinhosa e respeitosa. Também tenho certeza de que eles não me confundiriam com pessoas de outras tribos, mas não acho que eles sejam regra. Por essas e mais outras, acho que não vou dar uma passada na Paulista no Domingo.

26 de mai. de 2009

24 Horas

No período de 24 horas recebi duas notícias, opostas por sinal. A mãe de uma amiga havia falecido e uma aluna me comunicou que vai ser mãe. Parei para pensar. Pensar na vida e também na morte. Duas famílias que sentiram emoções opostas. Sorrisos e lágrimas. Lágrimas e dor. Emoção, a mais pura emoção. Será que para que este novo bebê nascer teria que alguém partir? Será que a vida de um depende da morte de um outro? Como se fosse matemática? Mais um, menos um? Só sei que enquanto uns não mais terão a oportunidade de conversar com seu ente amado, não assim com palavras, mas com certeza por meio de suas lembranças e corações, outros estarão ansiosos para ouvir a primeira palavra. Será “papai” ou “mamãe”?
Mas a vida continua, uns com as incertezas e medos próprios aos que geram outra vida, e outros se adaptando e aprendendo a administrar sua própria dor. Nada como um dia após o outro.

3 de mai. de 2009

De Mãos Dadas

Outro dia estava conversando com uma amiga quando um casal de velhinhos passou em nossa frente e estavam de mãos dadas. “Olha que bonitinho” - foi o que minha amiga disse no exato momento que viu a cena.
Para mim aquela cena era normal. Fiquei pensando no porque. Quarenta e sete anos se passaram desde aquele encontro. Ele estava trajando terno e ela um vestido branco. Disseram SIM em frente aos amigos e parentes. Começaram uma vida a dois. Passaram por várias dificuldades, financeiras e emocionais. Sempre um ao lado do outro. Construíram uma história, educaram filhos, riram juntos, discutiram outras vezes. Quiseram acertar. Provavelmente erraram algumas. Tiveram vontade de trancar a porta para nunca mais voltar. Tiveram a felicidade de saber que um esperava pelo outro no final de mais um dia normal.
Quarenta e sete anos. Ainda hoje andam de mãos dadas. Celebração ao amor. Celebração à vida. Parabéns ao meu pai e minha mãe.

24 de abr. de 2009

Hedonismo

No Aurélio: Doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível, princípio e fim da vida.
Então, se é isto que hedonismo significa:
Quero tomar um banho de cores. Quero ficar estático em frente a telas cobertas de tinta. Tantas cores que me cansam de contá-las.
Quero ficar fatigado de dós, mis e sis. O simples fato de ficar imerso em sons. Uma voz, um rádio, uma melodia. Philip Glass, Macy Gray, ou talvez a voz da vez.
Quero recostar na cama e sentir entre meus dedos o peso de um livro. Letras e mais letras. Letras finitas que contam histórias infinitas.
Quero entrar na sala escura e esperar para ver os movimentos na tela. Filmes, atores e atrizes, outros mundos, mundos risíveis ou atrozes. Mundos reais ou utópicos.
Quero poder parar. Parar para olhar. Parar para ver. Parar para ouvir. Parar até o momento que eu consiga parar de pensar.


texto - André Ranzatti

14 de abr. de 2009

Noite

Estão todos por aí. Os bares cheios, as boates com filas nas portas. A noite está só começando e todos preparados para “se dar bem”. Queremos um encontro pelo menos. Queremos outros lábios, outra saliva. Estamos cansados da nossa. Elas passam as mãos nos cabelos enquanto eles estufam os peitos quando pisam em qualquer recinto. Elas pedem uma caipirinha de vodca com adoçante e tomam com canudinho. Eles pedem uma cerveja e ficam encostados nas paredes analisando uma por uma. Registram todas, fazem uma seleção prévia e saem para o ataque. Elas ficam “na delas”. Esperam ser abordadas. As que os abordam os assustam. “Elas estão roubando nosso papel”, diria um menos favorecido de raciocínio. Uma cantada super original é esperada. Se for uma muito cafona, ela diz o famoso “mas”. “A cantada foi cafona, admito, mas ele é tão charmoso”. O papo rola. Uma outra caipirinha e outra cerveja são pedidas. Se ele for ao bar e voltar com a bebida dela na mão, ela acha ele gentil. Acorda garota, ele faz isso pra facilitar seu único e legítimo interesse: te pegar. Ele sabe que você vai pensar que ele é uma graça. Eles já desenvolveram suas técnicas. Vai fazer o inverso pra ver se ele gosta. No fundo, no fundo, as mulheres querem que eles paguem pelos seus porres. Estou errado? Beijos, beijos e risadas. A noite vai acabando, os corpos cansados vão pedindo por descanso. Os que ainda têm forças, trepam. Outros trocam telefones. Amanhã é um novo dia. Tudo começa de novo. A garota de ontem e o rapaz de ontem ficaram no passado.

A noite é sempre noite para héteros, gays, bissexuais. É quase sempre tudo muito igual.

12 de abr. de 2009

O Melhor

O que é melhor: saber que tenho alguém para ouvir meus demônios, ou meus gemidos?
O que é melhor: saborear o abraço de um amigo antigo ou a pele de um desconhecido?
O que é melhor: levar um beijo antes de dormir ou trocar fluídos com alguém que nem vou saber o nome?
O que é melhor: dividir um cálice com quem se ama ou um cálice com um estranho?
O que é melhor: lembrar de um amor verdadeiro ou não ter amor para lembrar?
O que é melhor: assistir um filme de mãos dadas ou com a mão cheia de pipocas?
O que é melhor: saber que alguém te ama ou ficar na fissura de amar alguém?
O que é melhor? O melhor cabe a nós mesmos.


texto - André Ranzatti

8 de abr. de 2009

Desejos

Ah, como eu gostaria de poder pintar como os Impressionistas. Deixar marcado em telas que foram brancas, a doçura, suavidade e sensibilidade de suas sutis pinceladas.
Ah, como eu gostaria de poder cantar como os pássaros. Alegrar o dia, misturar ao som das metrópoles o doce som da natureza, da pureza.
Ah, como eu gostaria de atuar como os grandes atores. Experimentar novas vidas, novas realidades e tentar passar emoção e tocar corações de vários desconhecidos que iriam se lembrar daquela performance.
Ah, como eu gostaria de ter o dom dos grandes escritores. Levar as pessoas ao desconhecido, às loucuras de uma mente que trabalha no abstrato, que cria mundos mágicos, mundos reais e também mundos utópicos.
Ah, como eu gosto de sentir intensamente aquilo que a vida me apresenta. Sofrer e sorrir, chorar e rir, sentir e sumir, amar, beijar.
Ah, como eu gostaria... Ah, como eu gostaria...
Ah, como eu...
Ah, com...
Ah,...


Texto - André Ranzatti

2 de abr. de 2009

O Instinto Masculino

Minha bisavó dizia: “Homem é mesmo assim”. Minha avó dizia: “Ele é homem, não é como as mulheres”. Minha mâe dizia: “Homem sempre foi e sempre será assim”. Se fizermos uma conta, podemos afirmar que há bons anos ouvimos estes mesmos discursos, todos dando liberdade aos homens de se comportarem de acordo com o “instinto masculino”. Este “instinto” é aquele instinto animal de que todos falam. Sempre achei um pouco perigoso pensar que temos o “instinto animal”. Não gosto deste “animal”. será que realmente somos como nossos cachorrinhos?
Daí eu te pergunto: quando aquela gostosa do bairro passar por você num dia ensolarado, vestindo uma mini saia e blusinha que salienta fartos seios, o que você faz? E se ela passar por você e lhe der uma piscadinha? Sairia você atrás dela, correndo com saliva na boca e falo na mão e a possuiria no meio de uma rua movimentada?
Se uma cadela no cio passasse em frente de um cachorro qualquer e deixasse que ele a cheirasse, aposto que o cachorro a possuiria no mesmo momento. É seu instinto animal, não?
Tanta volta para falar como a sociedade trata o tema do “instinto masculino”. Acho que homens são diferentes dos animais. Diferentemente, homens têm controle sobre seus atos. Homens não são seres salivantes que ficam eretos assim, de repente. A não ser quando acordam pela manhã e se deparam com tal situação.
Quando a sociedade diz “homem é assim mesmo”, acredito que damos a eles a possibilidade de não respeitar seus pares. É bem cômodo apelar para o “instinto masculino” para justificar puladas de cerca. Sendo assim, o tempo passa, os homens arrumam desculpas para sua própria desonestidade. Pessoas são magoadas.
Provavelmente não estarei vivo para ouvir homens comentando uns com os outros sobre o “instinto feminino”.

6 de mar. de 2009

Depois de alguns Drinks!!!!

Sabe como é: abre-se uma garrafa de vinho, outra, toma-se umas latas de cervela, e então, só Deus sabe.

"O cd começou a tocar. Era ela. O suave tom de sua voz fazia daquela noite algo diferente. Ele estava ao meu lado. Já não tão sóbrio, deixava sair de seus lábios palavras e mais palavras, sem controle, sem freios. Mais uma pausa para mais um gole. Palavras que alegravam minha alma. Palavras que alimentavam meus sonhos. O timbre de sua voz cantarolando junto a ela, casamento de som e vozes? Melhor parar? vou deixar de ter razão pelo menos por alguns momentos. Quero ficar congelado de olhos abertos e fixos. Tudo que mais quero é ficar de olho nele. Olhar seus movimentos, seus passos pela sala. Quero ver seu gingado, sua surpresa, suas reações. Agora é uma outra que canta para nós. Quem sabe amanhã conseguirei lembrar o resto da noite, para então, poder contar o que aconteceu depois."

Texto - André Ranzatti

3 de mar. de 2009

Choro da Alma

Quando saí da cama, logo senti que algo não estava bem. Um desconforto, uma sensação estranha, nenhuma sensação física, apesar do frio matinal.
Encurralado pelo meu próprio corpo, me arrastei com passos bem curtos até o banheiro. Sensação nova, virgem, creio que poderia nomeá-la assim.
Ao olhar no espelho, vi meu próprio reflexo. Era o mesmo de qualquer outra manhã, manhã que poderia ser feliz, triste, fria, quente, esperançosa ou depressiva. Mas algo mesmo assim me incomodava.
Começo a tatear o corpo a procura de alguma dor. Dor física que é despertada por um cérebro ativo, por uma mente viva. Nada, meros toques. Toques comuns, toques.
Angústia, desespero, insatisfação, decepção, o que era aquilo que sentia? Porque as lágrimas não chegavam aos meus olhos? Porque não conseguia chorar? Porque dei ouvidos à sociedade e acreditei que homens não choram?
Agora não consigo quebrar estas barreiras, as lágrimas definitivamente não irão molhar minha face, não escorregarão pelas maçãs do meu rosto e nem serão acolhidas pelo tecido da minha blusa. Só pode ser minha alma chorando, dentro de mim, triste, calada e dilacerada.

Texto - André Ranzatti

17 de fev. de 2009

Do Fundo do Baú

Estava dando uma olhada nos textos que tenho arquivado no computador e me deparei com um escrito para a minha terapeuta. Lembrei de imediato o quanto estar sentado naquela poltrona foi importante para mim.


Conhecer a si mesmo. Conhecer suas próprias entranhas. Conhecer seus monstros, mesmo ao olhar no espelho. Diagnosticar desejos, raivas, virtudes e defeitos. Ter o entendimento do profundo, do raso, do belo e também do horroroso que habita em nós. Deixar a música te tocar, as imagens devorarem sua retina, os odores entrarem sem pedir licença. Permitir o choro, o desespero, a alegria, a felicidade, por mais efêmera a vida. Orgulhar-se daquilo que é puro, e não ter vergonha de ser você mesmo. Não acreditar na plenitude, não almejar a perfeição. Acreditar naquilo que é, e pronto. Negar as convenções, sorver os pequenos momentos de êxtase. Não achar que a vida é algo difícil, aprender a rir de si mesmo, do mundo, não se levar tanto a sério. Cuidar de quem está perto, dar-lhe colo. Puxar orelhas. Chorar, chorar, chorar. Entender a dor e não esquecer que ela pode ser, inconscientemente, uma de suas melhores amigas. Amar, amar, amar. Amar com a mais pura alma. Amar com todos os sentidos. Deixar a paixão chegar e não afastá-la. Estas são muitas das coisas que você me ensinou. Obrigado por acreditar em mim. Obrigado.

15 de fev. de 2009

Hoje

Hoje resolvi dormir. Não vou mais permitir os pensamentos. Vou afastá-los, vou extirpá-los. Só pode ser o demônio rondando meus lençóis.
Hoje resolvi dormir. Vou tentar não pensar onde você possa estar. Que lábios possam estar encostados aos seus. Que pele encostada a sua.
Hoje resolvi dormir. Tentarei apagar memórias doces, memórias de um doce amor.
Só hoje não vou mais perturbar minha mente, imaginando o porque de você ter me deixado. Quero meu sossego, minha paz, minha dor, meu desencanto, meu breu.
Hoje vou ficar aqui. Quieto, triste, pensativo, desiludido. Só hoje não vou mais acreditar no amor.
Hoje resolvi viver. Hoje resolvi viver, mesmo que tenha que esquecer você.

Texto - André Ranzatti

4 de fev. de 2009

AMAR

Amar: verbo transitivo direto, indireto, verbo intransitivo? Não faço a mínima idéia. Isto porque este verbo não se materializa no concreto, e sim se manifesta no abstrato.
Não podemos defini-lo. Não podemos decifrá-lo. Não podemos entendê-lo.
Às vezes ele nos aproxima, outras nos afasta, nos cega, nos complementa, nos dilacera.
Acredito que sua melhor compreensão é a não compreensão. Amar sem perguntar, amar sem julgar, amar sem saber, amar sem dizer, amar sem exprimir, amar sem ruir.
Para aqueles que o julgam ter encontrado, sorte, conjugue-o. Aqueles que estão a sua procura, sorte também , persiga-o.
Amar sem pudor, amar sem rancor, amar com ardor, amar com amor.

Texto - André Ranzatti

30 de jan. de 2009

O Toque

Tocar, encostar, sentir. O toque suave, cheio de boas intenções, e porque não de algumas más intenções. O toque que é puro, fruto do carinho, da compaixão, do amor. Toque este que te leva ao êxtase, do sentimento mais que saudável que é ser brim quisto, e também altamente desejável.
Não se vêem mais toques prolongados, aqueles que envolvem, como Drummond nos envolve, como Paris nos envolve. Os toques de hoje são rápidos, viris, às vezes deliciosos, mas quase sempre têm por finalidade saciar nossos instintos, que não podemos negar que todos temos.
Tocar a pele, as negras teclas do piano, ou mesmo a campainha da casa de alguém amado. Tocar o coração, a alma, o toque não físico, mas sim, o mais abstrato, o mais impalpável, e porque não o mais utópico.
Tocar com os olhos, desnudar, seduzir, devorar, despudorar. Tocar com o corpo inteiro, sentir o encontro dos poros, derramar gotas de vinho, sussurrar, enlouquecer, e nunca deixar de tocar.

Texto - André Ranzatti